Alimente-se do senhor na ceia

Palavra do culto ministrada na Igreja Videira Abadiania

Pr Marcello Pantoja

6/7/202613 min read


ALIMENTE-SE DO SENHOR NA CEIA

Deus é bom, ele o ama e deseja o melhor para você. A vontade dele é que você tenha um coração cheio de paixão e vida, um corpo saudável cheio de vitalidade, um espírito renovado para adorá-lo e ter comunhão com ele, uma mente clara cheia do conhecimento da glória de Deus.

Nunca foi intenção de Deus que tivéssemos um corpo cheio de enfermidade e uma alma deprimida e angustiada incapaz de cumprir o seu propósito. Deus não nos criou para vivermos uma breve existência atribulada e pobre. Não fomos feitos nem mesmo para morrer. Todas essas coisas são inimigas de Deus.

O Senhor Jesus veio para nos redimir da maldição que entrou no mundo pela queda do homem. O primeiro Adão, por causa da queda trouxe ao homem a condenação, a doença, a pobreza e a morte, mas o último Adão trouxe redenção, saúde, vitória e imortalidade. Como último Adão Jesus levou para a cruz toda a maldição do pecado e como segundo homem nos introduziu numa nova criação, sendo ele mesmo o cabeça de uma nova raça.

Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. (I Cor. 15:45-48)

Milagres e a Provisão para o Corpo

Existem 33 milagres do Senhor relatados nos evangelhos. Ele fez muito mais do que isso, mas João disse que esses foram registrados para que crêssemos que Jesus é o Filho de Deus (Jo. 20:30-31).

Jesus fez 33 milagres nos evangelhos. Desses total 28 estão relacionados com o nosso corpo, incluindo comida, pão e peixes sendo multiplicados e água transformada em vinho. Mas 24 são curas físicas e aí incluímos expulsão de demônios e ressurreição dos mortos.

Veja que o poder do Senhor está disponível para suprir todas as nossas necessidades físicas. O Senhor raramente repreendia seus discípulos, mas quando o fazia era por causa da pequenez da fé. Em outras palavras, ele lhes dizia: “por que vocês tomam tão pouco de mim? Meu poder pode lhes dar muito mais, por que vocês não recebem?”

A maior bênção que podemos receber depois da salvação é a cura para o nosso corpo. Saúde é a maior riqueza. Fomos criados para viver eternamente, então a doença não faz parte do plano de Deus. Muitos acreditam que Deus lhes mandou uma enfermidade para lhes ensinar uma lição, no entanto elas vão ao médico para desfazer o que Deus mandou.

Jesus nunca fez pessoa alguma adoecer para lhe ensinar uma lição espiritual, para trazê-la mais perto dEle, ou para ela aprender o quebrantamento. Ele também não castigou ninguém com enfermidades, em ocasião alguma. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Existem crentes que têm medo que a ira de Deus os atinja nessa área. Mas o filho de Deus não está mais debaixo da sua ira, mas do seu favor.

O Propósito da Santa Ceia

Hoje gostaria de ministrar sobre o plano de Deus de nos dar saúde e vitalidade através da santa ceia. Mas antes de tudo lembre-se de nunca tomar a ceia de forma supersticiosa. Não é o pão em si mesmo ou o vinho que tem poder, mas é a sua união com Cristo. Não tome a Ceia como uma tentativa de receber um milagre, mas tome a Ceia numa atitude de confiança e segurança na promessa infalível da palavra de Deus.

Precisamos ter cuidado para que a Ceia não se torne apenas um ritual. Jesus não disse que o pão e o corpo eram símbolos, mas disse que era o próprio corpo dEle. Frequentemente encontro pessoas que ficam meses sem participar da ceia porque estavam doentes. Pergunto porque não pediram para alguém lhes levar o pão e o vinho, mas elas dizem que nem lhes ocorreu a ideia. Isso acontece porque para elas a Ceia é apenas um ritual. Não sentem que precisam comer do corpo do Senhor.

A Ceia nos dá Saúde e Vida

Em I Coríntios 11 o Senhor diz que ele não deseja que sejamos condenados com o mundo.

Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. (I Cor. 11:32)

O Contexto desse capítulo é a Ceia do Senhor, portanto ser condenado aqui não significa ir para o inferno. Muito embora tomar a ceia de forma indigna seja errado, não pode condenar ninguém ao inferno. O Senhor está dizendo que a igreja deve receber os benefícios da Ceia para que não sofra o mesmo tipo de condenação que o mundo sofre. Baseado no contexto o que eles estavam sofrendo era fraqueza, doença e morte prematura.

Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. (I Cor. 11:30)

Desde que Adão caiu o mundo está debaixo da condenação e por isso sofre debaixo de doenças, fraquezas e morte antes da hora. A vontade de Deus é que não mais vivamos assim. O Senhor veio para remover tais coisas na vida dos que crêem.

Paulo estava surpreso que houvesse tantos fracos, doentes e gente que morria jovem dentro da Igreja de Corinto. A razão desse problema era que eles não discerniam o corpo de Cristo na Ceia. Eles estavam tomando a ceia de forma irreverente e indigna. Não significa que eles eram indignos, mas estavam participando de forma indigna. Muitos interpretam de forma errada esse texto e dizem que se alguém participa da ceia em pecado sofrerá juízo. Mas não é isso que Paulo está dizendo. Não é a pessoa que é indigna, mas a maneira como ela está tomando a ceia. Jesus morreu por gente indigna e não existe ninguém digno na presença de Deus (Ap. 5:2-3).

Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. (I Cor. 11:27-30)

O resultado disso era fraqueza e doença. Alguns interpretam que a fraqueza, doença e morte prematura eram a disciplina de Deus sobre eles por causa da irreverência com a Ceia. Mas eu creio que devemos entender isso como o resultado de não estarem participando dos efeitos maravilhosos da Ceia por não terem entendimento do seu significado. O ato de tomar a ceia indignamente é apenas o sinal de que eles não discerniam o corpo de Cristo. O verdadeiro problema é a falta de discernimento.

Isso significa que quando tomamos a Ceia sem discernir o significado do Corpo de Cristo deixamos de usufruir da bênção de cura, força e vida longa. Paulo diz claramente: “eis a razão…” Ele diz que há somente uma razão porque os crentes de Corinto viviam doentes, era porque não discerniam o significado do corpo de Cristo. Quando eles pegavam o pão eles não entendiam porque o corpo tinha sido dado.

É preciso Discernir o Corpo

A palavra discernir é “diacrino” no grego. Essa palavra significa fazer diferença, separar, distinguir. Em primeiro lugar precisamos distinguir o pão da ceia dos outros pães comuns. Mas também devemos distinguir a diferença entre o sangue e o corpo. Precisamos saber para quê o sangue foi derramado e porque o corpo foi partido.

Os irmãos entendem mais rapidamente o significado do sangue. Eles sabem que os seus pecados foram perdoados e eles agora participam da Nova Aliança. Muitos, porém, não entendem o significado do pão. É interessante que nos três evangelhos onde é descrita a última ceia (que na verdade é a primeira), o Senhor diz sobre o pão: “Tomai, comei; isto é o meu corpo”. Nada diz sobre o seu significado. Mas sobre o cálice ele diz: “este é o meu sangue, dado para a remissão dos pecados.”

Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. (Mt. 26:26-28)

Qual o significado do pão? Por que o corpo foi partido? Nós sabemos que o sangue é para a remissão de pecados, mas e o corpo partido? Creio que o corpo foi partido para cura de nosso corpo. Paulo não disse que o problema dos coríntios era porque não discerniam o sangue, ele disse que o problema era não discernir o corpo. Porque não discerniam o corpo estavam fracos e doentes (Vs. 29-30). Existem dois elementos na Ceia porque existem duas aplicações diferentes. O vinho é para o perdão, mas o pão é para cura.

O Sangue é para Perdão

Quanto ao sangue não há nenhuma confusão ou problema para entender o seu significado. O Senhor mesmo tornou o seu significado claro.

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. (Cl. 1:13-14)

No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça. (Ef. 1:7)

Quando você tomar o vinho saiba que os seus pecados foram perdoados e você foi feito justo diante de Deus por causa do sangue de Jesus.

O Corpo é para Cura

Embora todo cristão tenha discernimento do vinho, nem todos entendem o sentido do pão. Quando o Senhor falou com a mulher siro-fenícia ele disse que não era bom tirar o pão dos filhos e dá-los aos cachorrinhos. O que significa o pão dos filhos?

Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de sua filha o demônio. Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças. (Mc. 7:26-28)

O pão dos filhos se refere à cura da filha da mulher. Os filhos são aqueles que participam da aliança e os cachorrinhos são os gentios que estavam fora da aliança. Assim a cura estava incluída na aliança de Deus com os seus filhos. Mas ali o texto fala de libertação e não de cura, como explicar isso? A verdade é que a Bíblia trata a doença e a possessão demoníaca como sendo a mesma coisa, pois ambas procedem do diabo.

Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. (At. 10:38)

A cura e a libertação é o pão dos filhos. A mulher creu no poder das migalhas e recebeu o milagre, mas hoje nós participamos do pão inteiro, então podemos desfrutar de muito maior poder. Portanto quando você comer do pão lembre-se que o corpo de Jesus foi partido para que o nosso corpo pudesse ser restaurado. Ele tomou as nossas doenças e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. (Is. 53:4-5)

No dia da Páscoa no Egito o povo deveria matar o cordeiro e aplicar o sangue nos umbrais das portas. Isso é para nos livrar da condenação da morte. Pelo sangue somos salvos. Mas o cordeiro deveria ser comido dentro da casa. Esse ato de comer o cordeiro nada mais é que o pão que partimos na mesa do Senhor hoje (Ex. 12:8). O resultado disso foi que não havia nenhum inválido em Israel. Havia cerca de 2,5 milhões de pessoas saindo do Egito e nenhum doente entre eles. Isso é um quadro do que a igreja pode experimentar hoje.

Então, fez sair o seu povo, com prata e ouro, e entre as suas tribos não havia um só inválido. (Sl. 105:37)

O cordeiro que foi morto era somente uma sombra do cordeiro de Deus do qual podemos participar hoje. No Salmo 103 Davi também coloca o perdão dos pecados junto com a cura das enfermidades.

Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades. (Sl. 103:2-3)

Na cruz o Senhor não apenas nos deu o perdão, mas também a cura para todas as enfermidades. Esse é o sentido de discernir o corpo. Uma vez que discernimos o significado do corpo, podemos desfrutar de força, saúde e vida longa, o exato oposto daqueles que não discernem. Não estou dizendo que as pessoas ficam doentes porque não discerniam o corpo ou não participam da Ceia, estou dizendo que elas não precisam permanecer doentes se participarem da mesa do Senhor com discernimento.

Infelizmente muitos não tomam a ceia do Senhor seriamente e não atribuem a ela saúde e vida. Mas estão errados. Quando comemos do Senhor através do pão, recebemos força, saúde e vida. Mas é apenas uma cerimônia, um ritual, dizem alguns. Não deveria ser assim, deveria ser um desfrutar genuíno de Cristo.

Todo pecado, maldição, enfermidade, miséria e mesmo a morte vieram ao homem pelo único e simples de ato de comer. Comeram da comida errada. Deus então colocou-nos por meio do último Adão, um simples ato de comer para termos perdão, vida e saúde. Se você crê nas consequências do primeiro ato de comer precisa crer na poder do segundo também.

O Corpo é Verdadeira Comida

O Senhor Jesus disse que ele é o pão que desceu do céu. Isso certamente está associado também à Ceia do Senhor. Nós comemos do Senhor na Ceia.

Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente. (Jo. 6:49-58)

Muitos ficam tão atemorizados de cair no erro da transubstanciação que preferem crer que se trata apenas de um símbolo. Mas precisamos crer que é algo espiritual. É o corpo do Senhor naquele pão. É claro que o pão continua sendo um pão, mas naquele momento adquire um poder espiritual. Pela fé você come de Cristo.

Nesse texto de João, primeiramente o Senhor usa a palavra grega “phago” traduzida como comer. Mas o interessante é que a palavra usada no grego para comer a partir do verso 54 é “trogo” que significa mastigar, ruminar, triturar. Podemos até usar o verbo comer no sentido metafórico, mas mastigar nos fala de uma experiência bem física. Certamente o Senhor está aqui se referindo ao pão da Ceia.

Jesus disse que a maneira de permanecermos nele é participando da sua carne e do seu sangue. Nisso vemos a importância de participarmos da ceia, não como um ritual, mas como uma experiência de vida. Nós comemos do Senhor ao comermos do pão pela fé. Em todo o texto de João o verbo comer está no tempo particípio presente ativo no grego. Isso significa que não é algo que fazemos uma única vez, mas é uma ação contínua. Nós devemos comer do Senhor continuamente.

Isso significa que na medida em que participamos da mesa do Senhor vez após vez, nós recebemos gradualmente vida, saúde e força. Não é um ato mágico, mas um alimento de fé. Tudo isso me tem levado a concluir que precisamos ser mais sérios com a Ceia do Senhor. O melhor seria termos a Ceia semanalmente, mas como isso ainda não é possível, deveríamos ter a Ceia no prédio na primeira semana do mês e depois na célula, ou seja, pelo menos duas vezes por mês.

Creio que todo irmão que for internado num hospital precisa receber a Ceia no seu leito de enfermidade. Essa é uma forma deles receberem cura. Isso não precisa obrigatoriamente ser feito por um pastor, qualquer membro pode compartilhar o pão e o Vinho. Na verdade a igreja acontece de forma prática quando dois ou três se reúnem no nome do Senhor. Eles não se reúnem para brincar e se divertir, mas se reúnem deliberadamente para adorar o Senhor. Quando isso acontece ele podem partir o pão e tomar o vinho.

Na igreja de Atos eles partiam o pão de casa em casa diariamente (At. 2:46). Esse partir o pão nada mais é que participar da mesa do Senhor.

Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração. (At. 2:46)

Muitos irmãos não sentem necessidade da Ceia porque ainda participam da mesa do Senhor de forma ritualística. Para eles não é uma experiência, mas apenas algo simbólico. Jesus disse: “esse pão é o meu corpo”. Ele não disse: “esse pão é um símbolo do meu corpo”. Ele disse: “esse é o sangue da nova aliança”. Ele não disse: “isso é o vinho simbólico da Nova Aliança”. Não exagere nessa questão de simbolização.

Há uma grande realidade espiritual na Ceia do Senhor. Na verdade há poder na Ceia, poder de cura. O Senhor odeia a religião. Ele não iria nos mandar celebrar um ritual simbólico vazio. O Senhor ama o relacionamento. Se ele ordenou a Ceia é porque o seu poder e a sua vida estarão disponíveis cada vez que participarmos dela.